Nélson Rodrigues dizia que o Brasileiro sofre de “Complexo de Vira-Lata”, pois se coloca em infriorida em relação ao resto do Mundo.
Esta afirmação é sempre muito lembrada quando chegam os Jogos Olímpicos. Vários atletas que são verdadeiros leões entre os 4 anos que sepram duas Olimpíadas, se transformam em gatinhos durante os jogos. Muitos, cometendo erros bisonhos e infantis. E as esperadas medalhas nunca chegam. São tachados de “amarelar”.
Os atletas Brasileiros “amarelam” sim, não há como negar. Mas é preciso contextualizar e entender isso, pois não pode ser visto como algo pejorativo, mas sim como uma falha estrutural do esporte Brasileiro.
São dois meus pontos:
1) A preparação é equivocada. A grande competição do esporte são os Jogos Olímpicos. Tudo que acontece entre dusas Olimpíadas é apenas preparação. A consagração dos atletas não se dá nos circuitos mundiais, nas Copas e Campeonatos do Mundo. Se dá nas Olimpíadas, quando os “Heróis Olímpicos” se eternizam.
Acontece que os Brasileiros ainda não entenderam isso, e se preparam para vencer as competições menos importantes, como as citadas, ao invés de utilizarem este período como preparação para o Jogos. Acaba gerando expectativas que jamais se cumprirão, e elevando à condição de favoritos e ídolos atletas que, de fato, não fazem parte da elite mundial.
Nesse sentido podemos citar o nadador Thiago Pereira. Com bom desempenho nos Mundiais - especialmente de piscina curta, que não é padrão Olímpico! -, medalhas no Pan - de novo o Pan! - e alguma badalação da imprensa, voltou de duas Olimpíadas sem alcançar posições memoráveis. É apenas um exemplo que vale para “n” outros atletas Olímpicos Brasileiros.
2) A pressão por medalhas no Brasil é enorme. Somos um País com poucos medalhistas Olimpícos, sendo muito menos ainda os que têm algum Ouro. Por isso, sempre que alguém se destaca, e por melhor que seja e esteja preparado, a pressão pela conquista, por se transformar no tal “Herói Olímpico”, é enorme, e em geral derruba o atleta.
Compare a frieza dos Americanos, tradicionais vencedores Olímpicos. Uma medalha de Ouro é apenas mais uma entre tantas que vencem. Exceto por fenômenos como Phelps, um Campeão olímpico é mais um. Não é exatamente um herói. Dado esta naturalidade da conquista, a pressão é muito menor, pois eles são preparados para a vitória e estão psicologicamente confortáveis nas disputas.
No Brasil a pressão derruba Hipólitos, Volei e Futebol Feminino, entre outros. Só escapam aqueles que estão num outro nível de preparo psicológico. O Volei Feminino neste ano parece ter ultrapassado este complexo. Que não é “amarelar” gratuitamente, mas sim por força desta pressão que é incontrolável.
Um exemplo de atletas vencedores, que uniram os dois aspectos citados acima são Cesar Cielo e Maurren Maggi. Focaram no objetivo, se prepararam longo dos holofotes e conquistaram dois merecidos Ouros,
É preciso encarar os fatos e usar das armas da estratégia e da psicologia a favor do esporte e das vitórias. Sem isso, continuaremos a fomentar o “Complexo de Vira-Latas”.