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October 10, 2008

Crise Financeira: Considerações Finais

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Espero ter ajudado de alguma forma a tornar um assunto tão chato, mas tão relevante no nosso dia-a-dia, mais compreensível. A idéia foi mostrar que há algo ruim chegando e é bom estar atento.

Dividirei estas Considerações Finais em blocos, como forma de pontuar os diversos aspectos que o assunto envolve.

A PROFUNDIDADE DA CRISE

A crise é grave e profunda, mas ninguém ainda sabe exatamente onde ela vai dar. Como dizem por aí, há uma grande chance de encontrarmos um alçapão no fundo do poço. Mas não há dúvidas de que é a crise mais grave que o Mundo enfrenta desde a Grande Depressão Americana de 1929.

O pior é que ainda estamos apenas nos primeiros sintomas. A crise de Crédito e Confiança que vemos hoje, com as oscilações de Bolsa e Dólar devem se transformar em desaceleração da economia mundial, com possível recessão. Ou seja, menos consumo, menos emprego.

Mas tudo é incerto e pode ser mais ou menos grave que isto de acordo com a forma de atuação dos Governos. Por isso, estar informado do andamento das coisas é importante, para mensurar o quanto isto pode afetar cada um de nós.

OS CULPADOS

Não é hora nem há necessidade em apontarmos culpados. A gravidade da crise é diretamente proporcional aos anos de forte crescimento mundial que vimos recentemente. Para culpar os banqueiros americanos e o Bush é preciso antes lhes dar o crédito pela sólida condição da economia Brasileira hoje.

Se temos condições de suportar esta crise é porque aproveitamos (menos do que podíamos, diga-se de passagem) o elevado consumo dos EUA, da China, da Europa e aumentamos exportações, recebemos investimentos.

Qualquer comentário diferente disso é má-fé ou ignorância.

CENÁRIO PARA O MUNDO

Este pânico tende a durar mais algumas semanas. Acredito que quando o pacote de salvamento Americano entrar em ação, associado a pacotes Europeus, as coisas se acalmem.

Acalmar não signifca que melhore.

O Mundo deve sentir algum desaquecimento da Economia, ainda sem idéia do tamanho desse desaquecimento. Vai depender do resultado dos pacotes e, especialmente nos EUA, de como o novo Presidente vai lidar com a crise.

O mais provável é que as Economias Americana e Européias sofram uma retração de 2% a 3%. Mas o que significa “retração”?

Quando se tem “crescimento”, significa que o País gerou mais riqueza. Significa que produziu mais, que vendeu mais. Isto significa que as indústrias produziram mais, empregaram mais, mais pessoas consumiram, houve queda de desemprego. Pensem no que vimos no Brasil nos últimos meses: recorde de produção e venda de carros, de construção e venda de imóveis, de venda de eletroeletrônicos, de gastos com viagens.

Logo, quando falamos em “retração”, é o oposto. Ou seja, com menos dinheiro haverá menos consumo, menos produção, desemprego.

Assim, 2009 tem cara de ano difícil para o Mundo. E ano difícil para o Mundo é ano difícil para o Brasil.

GLOBALIZAÇÃO

O processo de Globalização tem sua faceta perversa num momento como este.

Quando do início do processo muitos criticavam, mas por incapacidade de entender o modelo. Globalização é quebrar fronteiras. Neste sentido, os países desenvolvidos, em busca de custos mais baixos, transferiram boa parte de sua produção industrial para países em desenvolvimento. Assim, o salário de um Alemão ou Americano foi trocado por um Indiano ou Chinês, obviamente mais baixos, Isto favoreceu o crescimento do consumo dos desenvolvidos e ajudou muito a economia dos em desenvolvimento. Afinal, gerava aumento do emprego em regiões populosas, levando crescimento e melhores condições sociais.

Entretanto, ao abrir fronteiras industriais, abriram-se as fronteiras financeiras. O que isto significa? Significa que não há mais proteção contra crises como esta que vivemos. Já não existe “crise asiática” ou “crise russa”. O que existe é “crise global”.

CENÁRIO PARA O BRASIL

Não esperem nada animador. O final de 2008 já será difícil. Há enorme falta de dinheiro no mercado, seja para as indústrias, seja para as pessoas físicas (consumidores). O reflexo disso é redução no consumo, com redução do ritmo de crescimento.

Algumas indústrias sofrerão mais, como as de bens de consumo (veículos, eletro-eletrônicos) e lazer (turismo). Mas a economia como um todo sofrerá um aperto. Os exportadores terão menos encomendas externas; isto reduz o volume de dinheiro em circulação no País e, consequentemente, crescimento menor; a partir daí, menos consumo e menos emprego.

Se ficarmos apenas no “menos” será ótimo. O problema é o cenário se transformar em “queda”. Mas isto vai depender de duas coisas: das condições dos mercados externos e da forma como o Governo pilotará a crise.

Alguns pontos importantes para o Brasil:

- DÓLAR: deve se ajustar num patamar mais baixo, da ordem de 1,90. O Governo precisa agir rápido, pois há muitos produtos no Brasil que têm seus preços associados ao dólar. Se ficar muito alto, pode gerar inflação. Basta vocês observarem a quantidade de produtos importados nas gôndolas dos supermercados. Era mais barato importar que produzir localmente. Isto vai mudar.

- INFLAÇÃO: a principal componente será o dólar. Se estabilizar em 1,90 o impacto será pequeno. Os outros componentes são favoráveis a uma inflação mais baixa, pois os preços gerais estão caindo, com a redução no consumo geral.

- JUROS: devem cair mais rapidamente para equilibrar o menor crescimento. No pior cenário, fica onde está.

- EMPREGO: com crescimento menor, desaquece o mercado de trabalho. Não acredito em desemprego, mas em redução na velocidade de contratações.

- INVESTIMENTOS: opte por uma combinação de Renda Fixa com DI. Mas deixa uns 10% a 15% para colocar na Bolsa de Valores. As ações ficaram muito baratas e, no longo prazo, devem se recuperar. Opte por fundos de investimentos em ações, ou ações da Petrobrás, Vale, Bradesco e Itaú. Todos agentes sólidos em qualquer situação.

FINAL

Dizem que “o Mundo não será mais o mesmo depois dessa crise”. Mas isto vale para os Americanos e Europeus, em especial. Para nós Brasileiros a situação fica ruim agora, mas não sofreremos grandes alterações em nosso dia-a-dia, a não ser as já citadas. Nosso modo de vida é muito diferente do deles, e esta crise existe justamente porque eles vivem de uma forma diferente, mais endividados. O Brasileiro vive mais apertado, sempre esperando o pior. Sofreremos, mas menos que aqueles que terão que rever os conceitos de vida.

De qualquer forma, insisto: atenção aos gastos e dívidas. A profundidade e gravidade da crise ainda estão longe de serem compreendidas e medidas.

Obrigado aos que passaram por aqui. Espero ter ajudado de alguma forma. Se tiverem dúvidas ou quiserem abordar algum assunto específico, me falem. Se houver necessidade de mais informações, volto ao assunto.

Se algum tópico sair da página inicial, procurem nos links ao lado.

3 Comments »

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  1. Bom Cesar, você ajudou muito, obrigada!
    O querido presidente disse que teremos um natal muito bom e que não devemos parar de consumir…
    Estou empenhada seriamente em movimentar nossa economia, rsrs…
    Não é irritante essa mania de brasileiro fazer piada com qualquer coisa?

    Mulheres, mulheres…rs…ah, eu acho bacana essa coisa da piada. É das poucas coisas que eu gosto no Brasileiro!

    Comment by cris — October 11, 2008 @ 8:58 pm

  2. Eu entendi. Muito obrigado pelas explicações. Estou me sentindo mais por dentro dos acontecimentos, mais informado.
    Continuo com a impressão que vc seria um excelente professor.
    Abração e ótima semana!

    Quem sabe, um dia!

    Comment by eder — October 13, 2008 @ 1:44 pm

  3. Realmente ajudou demais….
    Estamos mais por dentro do que nunca…e acredito ter acrescentado há várias pessoas um pouco mais de cultura…
    Blogs como o seu deveriam se proliferar…
    Adoro passar por aqui…
    Muito Obrigada…

    Bjos

    Comment by Roberta — November 17, 2008 @ 8:36 pm

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