Internet e Seus Dilemas - Parte VI
Parte VI - A Díficil Relação do Internauta com o Dinheiro
Não, eu não vou dar dicas de como ganhar dinheiro com a Internet. O ponto que eu quero abordar é justamente como os Internautas odeiam gastar dinheiro quando estão na Internet.
Depois de todos os passos e ciclos expostos nos tópicos anteriores, chegamos ao momento atual. O download (i)legal de músicas, filmes e séries de TV ganhou escala absurdamente elevada. Não quero discutir se é pirataria ou não, mas discutir por que não se paga pelo trabalho alheio. E associar este comportamento à suposta “liberdade criativa” que a Internet proporciona.
O ponto de partida desta sequência de posts foi um artigo do site Teleséries, sobre as reivindicações dos Roteiristas norte-americanos durante a greve recém encerrada. Um dos ítens de discussão era a definição de um percentual de remuneração por receitas obtidas em novas mídias, como internet, através da venda de conteúdo.
Ao longo deste artigo e de outros ótimos publicados pelo mesmo site, e das discussões, dois pontos me chamaram a atenção: i) a adesão do público à greve, entendendo que a demanda dos Roteiristas era legítima, especialmente contra as “grandes corporações”; e ii) as críticas às “grandes corporações”, que “inibem a capacidade criativa” dos Roteiristas.
Sobre o ítem II eu falo depois. Quero me ater, por enquanto, ao ítem I.
Me parece estranho defender algo que não se pratica. Desde o advento do Napster, dos programas peer-to-peer e torrent, a Internet se transformou num meio de comunicação gratuito. Ainda que o Internauta gaste seus R$ 90,00 pelo acesso banda larga, um valor bem maior em equipamentos de boa qualidade, e pagamento por acesso a sites que permitem download mais rápido, ele se nega a pagar por conteúdo alheio.
No caso dos downloads de série, então, nem pensar!
Faço uma conta simples: se cada episódio custar cerca de US$ 1,99 - algo como R$ 3,40 - e uma série tiver 20 episódios, o download completo custaria algo como R$ 68,00. Imagine que fosse possível fazer o download imediatamente após a transmissão da série nos EUA, já com legenda. Tudo legal, tudo oficial.
Você pagaria por isso?
Pelo que tenho lido e ouvido, a grande maioria dirá que não. Mesmo que isto implique em menor receita para os Roteiristas e mesmo que tenham defendido as reivindicações destes.
Por que?
Porque o Internauta “moderno” - aquele pós-Napster - aprendeu que é possível obter conteúdo de forma gratuita na Internet e assim deve ser. Criou-se uma cultura, quase um mito, de que na Internet tudo pode e deve ser de graça.
Veja o caso da banda de rock Radiohead. Lançaram o álbum “In Windows” pela Internet, deixando a critério dos Internautas definirem o valor a ser pago. E poderiam, inclusive, fazer o download gratuito se assim quisessem.
Pois bem, nos primeiros dias a média de preço pago foi próxima à do CD na loja. Passados alguns dias o que se viu foi uma enxurrada de downloads gratuitos, derrubando o preço médio do álbum para a cada dos centavos.
Isto mostra claramente o comportamento médio do Internauta. E leva ao principal dilema da atualidade na Internet: como fazer dinheiro com conteúdo se os interessados não querem pagar?
Depois volto para falar do ítem II e fechar o assunto.

Honestamente eu não esperava mesmo dicas de como ganhar dinheiro na internet, não com meu blog, afinal, só uma meia dúzia de gatos pingados passa por lá mesmo…rsrs.. Mas veja bem o caso do nosso país: alguém conseguiu acabar com a pirataria nas ruas? Em qualquer esquina tem várias, não uma, mas várias banquinhas vendendo cds e dvds piratas, e são objetos concretos, você pode tocar, é fácil achar… E no caso das séries, não posso negar que baixo várias, não tenho paciência de esperar taaaaanto tempo. E sabe que pra baixar pagamos uma taxa pra um site de hospedagem de link pra ter download melhor, poder baixar qualquer hora. Todo mundo paga sem reclamar. Será que não poderiam cobrar desses sites? Mas o que me “preocupa” é: como cobrar ou inibir os downloads? Será que isso não passaria por uma censura ou monitoramento na rede?
Cris, Cris…está é uma quetsão muito complexa. E não me preocupa se fazem ou não downlod legal ou ilegal (há uma corrente que diz que o download de séries é legal, porque o programa foi transmitido de forma gratuita na TV. Eu discordo, mas não vem ao caso). Até porque, concordo contigo que a pirataria “física” é tão difundida que pensar no virtual é bobagem. Aliás, um parênteses: estava em Nova York e em plena 5ª Avenida vendiam bolsas piratas de marcas famosas. Minha mulher ficou impressionada com o acabamento. Não comprou (e se arrependeu). Meses depois ganhou uma “legítima Dolce & Gabanna pirata” comprada por uma amiga em Nova York. Se lá eles sofrem, imagine como é difícil coibir isto aqui.
Mas, voltando, minha questão é sobre como ganhar dinheiro com a internet se na internet ninguém quer pagar por nada! Isto só mostra o porquê as grandes corporações ditam as regras. Se ninguém paga pelo “oficial”, como sobreviver criando produtos independentes? Isto antecipa meu próximo posto!
Comment by cris — March 14, 2008 @ 4:09 pm
Não é deprimente saber que até os pitratas de lá são melhores que os daqui? E essa história das bolsas já apareceu até em Sex and the City, lá também se compra produtos piratas… Quem resiste a uma pechincha?
Comment by cris — March 14, 2008 @ 8:52 pm
olá César, posso lhe garantir que terá muitas novidades em breve e algumas aos poucos já vou colocando e postando. Valeu a visita e espero visitar também o amigo mais vezes.
Comment by ivan — March 14, 2008 @ 11:15 pm