E chega ao fim a saga das Internet e Seus Dilemas.
Depois de um breve histórico, vim mapeando mudanças de comportamento do Internauta médio, que possibilitam imaginar o rumo que a Internet, enquanto negócio, pode tomar.
O comportamento mais comum atualmente, como vimos ao longo desta sequência de posts, é o da negação das grandes corporações, que corrompem artistas, limitam idéias e nos impõem ordens de consumo, ao mesmo tempo em que se destaca o livre acesso a conteúdo artístico.
Comportamento comum de comunistas dos anos 70, para quem o “Império da Capitalismo” era o mal maior da Humanidade. Mal sabiam eles que os “comunistas bonzinhos” ficavam com a “mais valia”, enriqueciam, enquanto o povo era nivelado por baixo. Não à toa cairam quase todas as fronteiras comunistas do Mundo. Exceto uma que parou no tempo, e outra que abriu suas portas ao Capitalismo.
A liberdade que a Internet possibilita criou este “novo Comunista”. Que, novamente, está equivocado, se não no conceito, na avaliação.
O fato da Internet, através de You Tubes e MySpaces da vida, possibilitar divulgação gratuita de conteúdo intelectual, não garante em hipótese alguma que este conteúdo tenha qualidade.
É até possível conseguí-la em algum momento. Mas a ausência total de parâmetros de qualidade e viabilidade mercadológica tornam a grande maioria do que se divulga gratuitamente na Internet, um lixo. Completo.
As grandes corporações não se tornaram grandes apenas pelo poderio econômico. Pelo contrário. Elas ganharam poderio econômico ao longo da vida e se tornaram grandes. Justamente porque souberam, em algum momento da vida, separar o joio do trigo, divulgar material de qualidade. Souberam, como Darwin, que há uma Seleção Natural das coisas.
A idéia de que o conteúdo gratuito permite liberdade criativa é pura ilusão. Muitas vezes precisamos de alguém que apare as arestas, que organize idéias e que entenda o que o consumidor quer. Isto não significa podar criatividade. Significa potencializá-la. E torná-la economicamente viável.
Afinal, desde que não seja uma ONG, toda artista quer fazer dinheiro com sua obra. É a lei da sobrevivência, é como se mede (em grande parte) reconhecimento. Há exceções que justificam a regra, “artistas marginais”, “undergorund”. Bobagem. Todo mundo quer é ganhar dinheiro.
E aí, finalmente, o que temos? Temos de um lado uma certa repulsa às grandes corporações, associada a uma ode às produções independentes. Mas consumidores que não querem pagar por conteúdo, contra produtores e artistas que querem ser remunerados pelo trabalho. Tudo num mesmo saco. Neste primeiro momento, todos “no mesmo barco”. Mas chegará um momento em que haverá um ruptura.
Para onde vai?
Toda ruptura leva, em geral, a uma situação mais rígida que a anterior. Em algum momento, acredito, os conteúdos gratuitos ficarão “menos gratuitos”, as grandes corporações ficarão mais fortes, e um novo dilema surgirá.
É a Teoria da Evolução da Espécie. Os mais fortes sempre sobrevivem.