Premiações são sempre discutíveis. O critério adotado, na maioria das vezes, não ultrapassa a fronteira do gosto pessoal de cada um dos membros votantes. Vale para cinema, TV e música.

O Grammy não foge disso, mas há um componente quantitativo: o mercado. Usualmente, os vencedores tiveram bom desempenho de vendas e execuções nas rádios. Diferente do que ocorre no Oscar, por exemplo, onde os blockbusters raramente figuram na lista de candidatos.

Neste ano a história do Grammy foi diferente. A opção pela qualidade ficou clara. É óbvio que não foram todas as edições anteriores que preferiram as vendas ao talento, até porque há sempre a possibilidade de que música de qualidade tenha obtido sucesso comercial. Mas em 2008 ficou muito claro isto.

Os principais vencedores foram os seguintes:

Gravação do Ano: “Rehab”, de Amy Winehouse.

Álbum do Ano: “River: The Joni Letters”, de Herbie Hancock.

Canção do Ano: “Rehab”, de Amy Winehouse.

Artista Revelação: Amy Winehouse.

Álbum de Pop Instrumental: “The Mix-Up”, dos Beastie Boys.

Álbum de Pop Vocal: “Back To Black”, de Amy Winehouse.

Álbum de Pop Vocal Tradicional: “Call Me Irresponsible”, de Michael Bublé.

Canção de Rock: “Rádio Nowhere”, de Bruce Springsteen (do álbum “Magic”).

Álbum de Rock: “Echoes, Silence, Patience and Grace”, do Foo Fighters.

Um ano em que a grande vencedora é Amy Winehouse, que a despeito do hype nos EUA fez sucesso mesmo na Inglaterra, não pode ser considerado um ano “comum”. Até porque foi um ano em que Justin Timberlake foi praticamente onipresente, bem como seu fiel companheiro Timbaland. E tivemos Rihanna, e a força habitual do R&B.

Mas tem mais. Quando o “Álbum do Ano” é de Jazz, de Herbie Hancook e uma homenagem a Joni Rivers, podemos fechar os olhos e acreditar que o mundo pode ser menos injusto.

E ainda teve Álbum de Rock para o Foo Fighters e de Pop Vocal para Michael Bublé!

Viva o Talento!