UncategorizedFebruary 27, 2008 9:34 pm
Lá embaixo tem um post sobre um trabalho acústico do Metallica. Para responder um comentário do amigo Paulo Fiaes, que vale à pena ser lido, resolvi escrever um outro post.
Um artista pode mudar seu estilo e ainda assim ser respeitado?
A pergunta vem de um comportamento antigo de fãs, especialmente de música. Desde que o Mundo é Mundo, toda vez que um músico muda seu estilo - o mínimo que seja -, a chance de ser bombardeado por público e crítica é de quase 100%.
“Incoerente” e “Perdido”, dizem os críticos; “Vendido”, dizem os fãs, normalmente mais radicais.
Nem tanto, nem tão pouco.
Mudanças são sempre bem vindas. Me parece muito chato fazer a mesma coisa eternamente. Obviamente - e a í vem o grande “x” da questão - toda mudança tem que ser criteriosa e fazer sentido. Não se espera que uma banda de rock passe a tocar forró e, mesmo assim, continue a agradar os fãs.
Há uma coisa chamada “Evolução”. O Mundo muda diariamente, e não há como não soar datado repetindo fórmulas. Até Pokemon evolui! Evoluir é se aprimorar, é agregar nuances, é enxergar possibilidades que antes não existiam e podem enriquecer um trabalho.
Ou não.
Afinal, nem toda evolução é para o bem. E é neste ponto que os fãs devem se ater. Independente de mudanças, o que importa é a qualidade do trabalho, a coerência na mudança.
O exemplo do Metallica é muito bom. Começou como banda de Speed Metal (1981), com cara de mal e roupas pretas (álbuns Kill ‘Em All, Master of Puppets, entre outros); migrou para algo mais palatável, algumas baladas, mas ainda muito peso (Black Album); a partir daí, a banda mudou visualmente - e vieram cabelos curtos, roupas da moda - mas o som continuou pesado, vocais firmes, guitarras, só que empacotados numa versão light. Afinal, não dá para viver apenas de cabeludos batendo a cabeça! (NR: já fui um deles…)
O U2 também serve de exemplo. Começaram como banda de rock cru e sincero, foram migrando para um lado folk/blues, acrescentaram elementos de eletrônica (Achtung Baby! é um marco) e continuam se reinventando. Tanto é que continuam arrastando fãs em profusão.
Mas para apreciar a qualidade de um novo trabalho que é diferente do anterior, é preciso querer. Se essas bandas engariaram muitos fãs, também perderam alguns defensores de primeira hora. Pura bobagem.
Todos têm o direito de tentar evoluir. Inclusive os fãs.