Músicos Brasileiros: Algumas Dicas
Antes de iniciar minhas pesquisas em busca do ouro escondido, vou citar aqueles de quem gosto. Não significa, obviamente, que sejam o supra-sumo da música feita no Brasil, nem que sejam as únicas pérolas. Significa que fazem música que gosto. Apenas isso.
BLUES ETÍLICOS - banda de Blues das antigas. Sempre trabalhando com forte influência dos clássicos americanos, mas com criatividade, incluíram (bons) elementos de música brasileira e enriqueceram os trabalhos. A banda é tecnicamente muito boa, mas deixo como destaque o gaitista Flávio Guimarães, que também tem ótimos trabalhos-solo. Além de letras em inglês, há boas faixas em português, com letras “espertas”, mas nada de “poemas musicados”. Destaco os álbuns “San-ho-zay” e a coletânea ao vivo “Blues Etílicos - Águas Barrentas - Ao Vivo”, que consegue unir a qualidade técnica da banda ao vivo a um bom exemplo do ótimo repertório da banda.
LENINE - o pernambucano Lenine é daqueles casos raros na MPB: letras de grande sacada, com rimas fáceis mas inteligentes, e que sabe utilizar elementos musicais que vão além do samba/bossa nova. Há influência de música nordestina, algumas batidas eletrônicas e rock. Lenine não se encaixe exatamente no modelo MPB tradicional, e isto faz com que consiga agradar um espectro mais amplo de ouvintes. Um exemplo disso: a banda americana de rock Living Colour, ao ouvir seu trabalho, o convidou para que produzisse um álbum. Lenine refutou o convite, mas criou uma relação com a banda que o levou a convidá-los para aprticipar de uma faixa do álbum “Falange Canibal”. Recomendou o álbum “Na Pressão” e o ao vivo “In Citté”.
FERNANDA PORTO - na lista inicial esqueci de Fernanda Porto. Multiinstrumentista, a paulistana trouxe um ar moderno e eletrônico para a MPB no seu primeiro álbum, “Fernanda Porto”. Não há como nunca ter ouvido “Simbassim”, em parceria com DJ Patife. Dona de uma voz agradável, sem ser brilhante, Fernanda é capaz de letras interessantes acompanhadas de batidas tecno-bossa que tornam a audição de seu primerio trabalho muito fácil.
CÉU - a paulistana Céu é daqueles casos de pérola escondida no fundo do mar. Tem uma voz deliciosa, que viaja por diversos ritmos sem perder a qualidade. Como toda cantora brasileira, passeia um pouco pelos ritmos tradicionais da MPB, mas é quando sai desta vala-comum que cresce. A música “Lenda”, com levada blues é daquelas que devem estar no iPod, no CD favorito, tocar o dia inteiro. Certamente é mais conhecida no exterior que no Brasil. Não importa. O que importa é que há qualidade. Mas aviso: será difícil encontrar CD dela para vender em lojas tradicionais (online ou não).
FUNK COMO LE GUSTA - esta é uma big band clássica da música brasileira. Baseada em ritmos soul, black e funk (o original, nada daquele lixo feito no Rio), faz um crossover bem bacana com ritmos brasileiros. Ótimos músicos, sempre tem cantores de boa qualidade, a banda é melhor conhecida por trabalhos ao vivo e shows, justamente porque ao vivo são capazes de improvisar e brincar com a música, sempre com grande competência. Procure CDs/DVDs ao vivo. Diversão garantida.
DJ PATIFE - citei o Patife em Fernanda Porto e ele é uma referência em termos de bom uso da música brasileira. Sim, ele é um DJ, faz música eletrônica, e usa referências em inglês. Mas, possivelmente, é o artista que melhor combina ritmos eletrônicos com música brasileira. A faixa “Sambassim” citada acima é referência. Há uma versão belíssima de “Diariamente”, de Nando Reis num de seus álbuns.
Vou continuar minhas pesquisas. Depois volto.
