Ao menos duas vezes por ano, em Agosto e Janeiro, os clubes brasileiros de futebol são tomados de assalto por estrangeiros em busca de jogadores, sejam jovens esperanças de novos craques ou apenas regulares, mas que no universo internacional, são melhores que a média.
E duas vezes por ano ouvimos e lemos a mesma ladainha: o futebol brasileiro está falido, a CBF precisa fazer alguma coisa, e blá-blá-blá. Neste ano, resolveram adicionar outro ponto: o jogador tem que pensar mais no seu desenvolvimento e só deveria sair do País se houvesse proposta de um clube de 1ª linha europeu.
Quanta presunção!
Primeiro, toda vez que o assunto é dinheiro, cada um sabe onde lhe aperta o calo. Não é do interesse de mais ninguém, a não ser o envolvido. Não lembro de ver jornalista recusando propostas para ganhar mais, assim como não deveríamos ver jornalistas criticando jogadores por querer ganhar mais, mesmo que seja para jogar na Ucrânia.
Além disso, como questionar um jogador que, a despeito da melhor remuneração, terá chance de viver em outro País, provavelmente mais seguro, e conhecer uma nova cultura. Por que criticar alguém que opta por ter algo além do padrão?
Um dia desses, um colega de trabalho questionou a decisão de um jogador brasileiro, que trocava um time grande local por um time pequeno/médio Alemão. Disse que aqui jogaria num time grande, sujeito a ganhar títulos e lá, seria mero coadjuvante.
Este colega tinha acabado de aceitar uma proposta de um outro empregador, muito menor que aqui, mas que pagaria mais.
Quando fez aquela declaração, perguntei: “Fulano, por que você não fica conosco? Lugar maior, possibilidades futuras, visibilidade. Por que optar por um lugar menor, ao qual terá que se adaptar, ao invés de ficar aqui, onde já é conhecido e respeitado?”.
A única resposta que tive foi o silêncio.
Entendo que é assim que devemos pensar este êxodo de jogadores brasileiros: respeitando suas decisões.