Muito se fala a respeito da estratégia operacional dos Canais Fox no Brasil. Especialmente depois da substituição das legendas pela dublagem em sua programação no primetime.
Sempre defendi o direito e a capacidade de avaliação e administração dos canais, por entender que são especialistas, que trabalham com isso, que têm dados e informações que nós, meros telespectadores, não temos.
Infelizmente, analisando com calma os caminhos adotados pelos canais Fox, desconfio da capacidade da equipe destes canais, mesmo não sendo um especialista. Vamos aos fatos:
- O Brasil tem 4,7 milhões de assinantes de TV Paga, de todos os padrões. Segundo o Ibope, a série de maior audiência, “Lost”, tem cerca de 217 mil telespectadores de audiência, o que representa 4,6% do total de assinantes. A segunda série, “Heroes”, tem cerca de 148 mil (3,1%). Ou seja, apesar de crescer, a audiência individual das séries ainda é baixa.
- Das 20 maiores audiências, 7 horários são da Warner, 4 são da Universal, 4 da AXN, 3 da Sony e 2 da Fox. A grande margem da Warner se explica, possivelmente, porque o canal é conhecido como “canal de séries”. Das demais, apenas a Sony é um “canal de séries”, mas que optou por transferir parte delas para a AXN, que ganhou um primetime quase que exclusivo de boas séries.
- A Fox, que mingua com 2 horários - 15º com “Nip/Tuck” e 18º com “24 Horas”. Mas o canal possui um acervo interessante de séries, acompanhe: as duas citadas mais “Bones”, “Shark”, “Prison Break”, “Boston Legal” e “Rescue Me”. Sem contar que a FX que tem “My Name is Earl” e “The Office”. Ou seja, é um portfólio de respeito. Mas por que o desempenho ruim?
A administração da Fox entende que o problema são as legendas e, portanto, optou por dublar a programação. Discordo.
Os problemas do canal passam por um histórico de erros técnicos - desde legendas erradas até falhas grosseiras na programação, como apresentar um episódio inédito de “Shark” no lugar de uma reprise ou apresentar “Alien vs. Predador” no meio do episódio de estréia de “24 Horas” - e chegam ao ponto crucial, na minha opinião: ausência de publicidade.
Os canais de destaque trabalham de forma insistente na divulgação de suas séries. Seja em anúncios de revistas ou ações específicas de marketing. Todo mundo que gosta de séries - e pelos números que apresentei não chega a ser assim uma multidão - conhece os horários e séries de cada canal. Na Fox, apenas recentemente resolveram dedicar o horário das 22hs para séries. Sem critério de temporada ou análise da concorrência - impossível acreditar que alguém analisou alguma coisa ao colocar “Shark” batendo de frente com “CSI” (Sony) e “ER” (Warner). Sandice completa!
Se associarmos a falta de publicidade, com as escolhas equivocadas de horários e formação de grade, e aos erros técnicos insistentes, veremos que há, nitidamente, falhas na admnistração do canal, do ponto-de-vista de formatação da programação. E para encobrir os erros, culpam as legendas.
Uma pena.